sábado, 21 de dezembro de 2013

Desencanto – Francisco C. Trindade Leite (*)

Após quase quatro anos fui visitar minha cidade natal. É sempre uma emoção rever os lugares e as pessoas que foram e/ou ainda são importantes em nossas vidas, relembrar fatos e efemérides importantes em nosso passado, coisas do tipo. A gente volta às origens em busca de nossas referências, para novamente “beber” na fonte aquela mesma água que ajudou a construir nosso caráter e que nos ajuda a continuar definindo a direção que damos às nossas vidas – a compreender o para onde devemos ir.

É justamente sobre isso que quero comentar, infelizmente de forma triste. Resolvi expressar com a veemência devida, minha indignação para com o que vi (ou melhor, o que não vi) em nosso (finado) “Museu de Arte Pantaneira”. Deprimente. Mas permitam-me começar explicando, àqueles que não sabem, minha conexão pessoal com o “Museu de Arte Pantaneira”.

Fui Secretário Municipal de Educação em Aquidauana em 1998/1999. Em meu primeiro dia como Secretário, exatamente na primeira vez que fui entrar no gabinete, encontrei uma pessoa carregando uns “documentos velhos” que estavam na secretaria, em um carrinho de mão. Pedi para ver. Meu Deus! Lá estavam os originais da contabilidade da construção da Igreja Matriz, assinados pelo Teodoro Rondon, os documentos da construção da Ponte Velha, uma cópia do original da ata de fundação da cidade, e por aí afora. Naquele momento (o meu primeiro dia como secretário!), fiquei obsessivo por construir um museu na cidade, para preservar sua memória e proteger seus documentos históricos. Acabei descobrindo que a viúva do Manoel Antônio Paes de Barros (um dos nossos fundadores) havia doado a casa onde viveram, na rua Cândido Mariano, para a Prefeitura Municipal com o objetivo de fazer um museu para a cidade – se não me falha a memória, na gestão do prefeito Delfino Alves Corrêa. Aí estava o que eu procurava. Dediquei-me de corpo e alma para o empreendimento. Procurei restaurar a casa na forma como era originalmente. D. Sofia Rondon, que havia frequentado a casa e conhecido a proprietária, foi de inestimável valor ao indicar como eram os cômodos. Além dos documentos que encontrei na secretaria de educação, fiz uma campanha de doação e muitas pessoas doaram peças históricas para serem expostas permanentemente no museu. Inauguramos o “Museu de Arte Pantaneira”, inicialmente denominado Rubens Corrêa, no dia 15 de agosto de 1999. A inauguração foi matéria no jornal Gazeta Mercantil do dia 13/08/99. Quando vim de férias ao Brasil em 2002, no aeroporto de São Paulo, encontrei num livro sobre o Brasil, em inglês, uma foto grande da imponente fachada do nosso museu, recomendando aos turistas que o visitassem e apreciassem a coleção de documentos e artefatos históricos da guerra do Paraguai. Que orgulho! Guardo essa foto comigo até hoje. Mas vamos em frente.

Acho importante transcrever a definição do termo “museu”, adotada pelo Conselho Internacional de Museus, em 2001: “uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para educação e deleite da sociedade". Pois é. Acho que não era um museu, como eu pensei – se fosse, seria permanente, por definição. Mas ele acabou (ou será que devo dizer que criminosos o destruíram?), fazendo jus à triste máxima de que Aquidauana é a “terra do já teve”.

Saí de Aquidauana sem entender o que aconteceu com o nosso Museu. Como uma sociedade permite que quem quer que seja destrua um local que deveria ser referência, como diz sua própria definição, para educação e deleite da sociedade? Que sociedade é essa que, pretensamente conservadora, não valoriza suas próprias origens? Para onde vai uma sociedade que não respeita a referência de onde veio? Valorizar nossa história e cultura, reconhecendo seus acertos e erros, é a chave para avançarmos como civilização e os museus são a materialização de nossa memória. Basta visitar qualquer museu em qualquer país sério no mundo. Não gostamos do nosso passado? Ainda assim, vamos preservá-lo para que os mesmos erros/problemas não se repitam. Querem exemplos disso? Deem uma olhada nos museus do Holocausto ao redor do mundo.

Alguém destruiu nosso Museu. Desfigurou seu telhado. Devastou seu interior. Sabe-se lá onde foram parar os valiosos documentos e artefatos que lá se encontravam. Alguém tirou a chance de nossos descendentes de conhecer melhor de onde vieram para talvez compreender melhor para onde podem ir. E não vamos entrar no jogo simplista da culpabilidade: foi a administração do fulano ou do beltrano. A (ou as) administração (ou administrações) que permitiu (ou permitiram) que essa destruição acontecesse deve(m) sim ser responsabilizada(s), se possível criminalmente (porque isso é um crime contra o patrimônio e a memória pública). Mas a reflexão é mais profunda, e a verdade é que isso só aconteceu porque a sociedade como um todo não percebe a importância e nem valoriza iniciativas como essa, e consequentemente não possui mecanismos de supervisão e controle para evitar que crimes como esse aconteçam.

E agora, o que fazer? Eu gostaria imensamente de ver o ministério público responsabilizar aqueles que foram os responsáveis pela destruição. Eu gostaria imensamente de saber onde estão os documentos e artefatos históricos que estavam no Museu. Eu gostaria imensamente de ver a atual administração municipal agir séria e rapidamente e restaurar o Museu de Arte Pantaneira à sua condição original. Mas, acima de tudo, eu gostaria imensamente de ver o conjunto da sociedade aquidauanense valorizar sua história e suas origens, não permitindo que situações como essa jamais voltem a acontecer.

Sabe aquela água que vim beber de novo na fonte, como falei no começo deste ensaio? Pois é, ficou com gosto amargo, com gosto de tristeza. Não é a mesma água, com certeza. Não é essa a Aquidauana em que nasci e vivi. Não é essa a Aquidauana que eu sonhei.


(*) Francisco C. Trindade Leite, PhD em Educação, residindo atualmente nos EUA

Figura: Museu de Arte Pantaneira foi inaugurado dia 15 de agosto de 1999, aniversário de Aquiduana (Foto: Arquivo o Pantaneiro)


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Breakfast do pardal e o fotógrafo atento


Esta foto eu fiz hoje na lanchonete do piso superior do Aeroporto Internacional Antonio João em Campo Grande/MS, enquanto aguardava a decolagem da aeronave que estava o amigo Julierme Gomes Barbosa. 

Uma mesa sem clientes tinha um pedaço de rosca e uma xícara de café. Não consegui fotografar o momento que um casal de pardal fazia o breakfast. Na tentativa de fotografá-los, eles voaram, porém, o pardal cavalheiro, voltava várias vezes para saborear a rosca e levar um pedacinho dessa para sua parceira que ficou fora da lanchonete, bem distante; na cobertura. 

Não sei por que me atento para cenas assim tão irrelevantes e fico observando detalhes. Acho que tenho que acabar com essa mania.

Ezio José da Rocha

Campo Grande, 11 de dezembro de 2012



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

JÔ OLIVEIRA ESTARÁ EXPONDO SUAS ILUSTRAÇÕES NA BIBLIOTECA ESTATAL INFANTIL DE MOSCOU


Olá, Luiz
Exposição das minhas  ILUSTRAÇÕES NA BIBLIOTECA ESTATAL INFANTIL DE MOSCOU.
DE 10/12/2023 a 05/02/2014

Abraços,
Jô Oliveira


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ajudei a alimentar um cupinzeiro, sem me dar conta de que estava sendo enganado.

 

 

 

 

 

Luiz Carlos Nogueira

nogueirablog@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje eu estava arrumando as gavetas dos meus armários, e quando revirava uma delas, deparei-me com duas alianças de metal com os dizeres: “Dei ouro para o bem do Brasil”.

 

Logo veio-me um sentimento de indignação, quando então resolvi escrever sobre essa grande farsa ou grande logro aplicado à população brasileira, que na época, imbuída da mais alto sentimento de patriotismo, viu-se despojada dos seus metais mais valiosos e prol do que se acreditava ser uma grande ação destinada a libertar o país das suas dificuldades financeiras. Porém, fazendo uma busca pela Internet, localizei o artigo que reproduzi abaixo, porque do contrário seria como dizem “chover no molhado”.

 

Pois bem, até hoje estou me sentindo um bobo que foi na conversa dos espertalhões, comparada mais ou menos como se tivessem me induzido a pensar que para matar as térmites de um cupinzeiro, a serragem faria melhor efeito do que um veneno. Daí, tendo agido como outros milhões de brasileiros, só fiz fortalecer os moradores daquele buraco.

 

Eis o artigo:

 

 

 

Na campanha “Ouro para o Bem do Brasil” população foi enganada e nunca se soube onde foi parar o dinheiro

Seg, 30 de Julho de 2012 17:25

Quem se depara com escândalos como o do mensalão, ou do caso Cachoeira, nem imagina que um dia houve a campanha “Ouro para o bem do Brasil” que enganou famílias inteiras
Em 1964 uma crise política alicerçada por uma inflação devastadora, contribuiu para a eclosão de um golpe de estado que levou o Exército a comandar o país na figura do marechal Humberto de Castelo Branco. Os cofres públicos estavam vazios e o Brasil sem reservas cambiais que pudessem conter a alta exorbitante do dólar.
Diante do quadro desolador, os Diários e Emissoras Associados - grupo empresarial de mídia comandado por Assis Chateaubriand, popularizado como “Chateau” na obra monumental do escritor Fernando Moraes - buscando quem sabe, aproximação com os novos governantes, lança uma campanha na qual os brasileiros doariam suas joias em ouro recebendo em troca alianças de latão e um diploma com os dizeres: “Dei ouro para o bem do Brasil”.
Com chamadas e campanhas pelo rádio e televisão, mais os jornais do então poderoso grupo empresarial, a população mais humilde de São Paulo, especialmente, se comoveu com a situação difícil da nação brasileira, se mobilizando mais uma vez em um ato de cidadania. Sugeria-se que as pessoas, sendo casadas, dessem suas alianças de ouro em troca de outras em metal com a gravação da campanha símbolo da Tupi.
Muitos fizeram isso e houve ainda quem doasse colares, brincos e outros objetos de ouro, até dinheiro do próprio bolso, para ajudar nossa terra a se levantar dos infortúnios vividos no período que antecedeu à “Redentora”, denominação dada ao golpe de estado pelos favoráveis ao novo regime, que também foi chamado em outros setores de “Revolução de 1964”.
Assis Chateaubriand, cujo nome completo era Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, comandava um verdadeiro império das comunicações entre emissoras de rádios, TVs, jornais e revistas pelo Brasil afora, entre as quais “O Cruzeiro”. A ideia era obter lastro para a moeda nacional com o ouro arrecadado.
O nome para a campanha foi inspirado em outro movimento realizado durante a Revolução Constitucionalista de 1932, onde a população doou “Ouro para o bem de São Paulo”, criando uma “moeda paulista” que circulou em todo o estado durante o boicote comercial imposto pela ditadura Vargas, impedindo São Paulo de efetuar qualquer atividade em nível nacional.
Após o desenlace daquela revolução, o ouro arrecadado em 1932 foi utilizado na construção de um prédio no centro da cidade, no formato da bandeira paulista, localizado na Rua Álvares Penteado, 23.
O lançamento da versão “Ouro para o Bem do Brasil” aconteceu no início de 1964 e contou com o apoio de uma parte da população e também de algumas empresas. Prefeituras chegaram a promover manifestações com desfiles em vias públicas onde escolares portando faixas, exibiam dizeres alusivos à campanha.
O jornalista Ademir Médici, que mantém coluna no jornal Diário do Grande ABC, escreveu certa vez que a Dulcora, indústria de São Bernardo do Campo que fabricava o dropes Dulcora, ajudou na campanha modificando a cor da embalagem de seu principal produto que ganhou a cor ouro.
A revista “O Cruzeiro”, em 13 de junho de 1964, apresenta um balanço parcial informando que mais de 400 quilos de ouro e cerca de meio bilhão de cruzeiros haviam sido doados pelo povo e por autoridades civis e militares: “... a campanha, primeiro grande movimento dos ‘Legionários da Democracia’, foi aberta com a presença do senador Auro Soares de Moura Andrade, presidente do Congresso Nacional, que recebeu do Sr. Edmundo Monteiro, diretor-presidente dos Associados Paulistas, a chave do cofre em que será colocado o ouro e as doações em dinheiro que serão entregues, posteriormente, ao presidente da República, marechal Castello Branco...”
A revista dá conta que inúmeras personalidades do governo federal compareceram ao saguão dos Associados, na Rua sete de abril, no centro da capital bandeirante, durante uma vigília cívica de 72 horas, para emprestar apoio e fazer suas doações para a campanha do ouro. “... o ministro do Trabalho, Sr. Arnaldo Sussekind, representando o general Amaury Kruel e diversas outras autoridades prestigiaram o movimento dos ‘Legionários da Democracia’.
O Governador Adhemar de Barros doou, de livre e espontânea vontade, os seus vencimentos do mês de abril, num montante de 400 mil cruzeiros...”, informa ainda a publicação, salientando que mais de 100 mil pessoas fizeram doações desde as mais modestas, até as mais abastadas, depositando cheques de até 10 milhões de cruzeiros, vindos também de várias firmas, além de carros oferecidos pela indústria automobilística nacional e inúmeras outras doações de grande monta.
As TVs Tupi Canal 4 e Cultura Canal 2, pertencentes aos associados, transmitiam ao vivo da sede da empresa, com o repórter, José Carlos de Moraes, o “Tico – Tico” narrando que os populares que doavam objetos de ouro de uso pessoal, tais como alianças, anéis e outros, recebiam em troca uma aliança de metal com os dizeres: ‘Doei Ouro para o Bem do Brasil’.
Não há registro na internet de nenhuma transmissão alusiva à essa campanha, mas há imagens do repórter Tico– Tico entrevistando o ex – presidente João Goulart, por ironia vítima do golpe que levou Castelo Branco ao poder.
Nos jornais, Diário de São Paulo e Diário da Noite se antecipava que a campanha “Ouro para o Bem do Brasil” seguiria na capital, até o dia 9 de julho, quando então peregrinação teria início no interior do estado.
Apesar da campanha, seguimentos mais esclarecidos da sociedade não se mobilizaram, evidentemente porque era previsível que não se alcançaria um valor suficiente para cobrir as reservas cambiais de um país do tamanho do nosso, suprindo aquilo que se arrecada nas atividades do comércio, da indústria e da agricultura que geram empregos e proporcionam os negócios de exportação e importação, estes sim capazes de tocar a economia.
Claro que a campanha não foi adiante, entretanto jamais foi informado sobre o que foi feito com todo ouro e o dinheiro arrecadado. Por parte do governo não houve sequer a uma nota de agradecimento.
Em lugar nenhum da internet, ou nos arquivos dos jornais, encontramos números definitivos dessa campanha e nem o que aconteceu com o montante obtido junto aos abnegados contribuintes. Nunca se soube do paradeiro da chave do cofre da campanha, entregue ao senador Moura Andrade, ou se ele ficou com ela de fato. Isso nos leva a crer que a campanha “Ouro para o Bem do Brasil” não passou de um golpe aplicado contra a população honesta, mais uma malandragem entre tantas, na história deste país e o pior, com o uso da mídia.
Se hoje achamos que a ladroeira alcançou níveis nunca vistos, a história dessa campanha dos Diários Associados deixa claro que a picaretagem sempre agiu solta e o que muda é a maneira como se aplica o golpe.
O lamentável é que pessoas honestas, pais de família e suas esposas que doaram as alianças que simboliza a união abençoada por Deus entre os casais, foram enganados não para o bem do Brasil, mas daqueles que enriqueceram sem que o assunto fosse sequer apurado.
Geraldo Nunes*
Geraldo Nunes, jornalista e memorialista, integra a Academia Paulista de História

geraldonunes@jornalmovimento.com.br

Fonte: Jornal Movimento – Acesso efetuado em 11/11/2013, através deste link:

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

VOCÊ TEM BROCAS?





OU


Luiz Carlos Nogueira




Hoje (08-11-2013), eu estava na feira da rua Boaventura da Silva, comprando verduras numa banca, quando se aproximou um sujeito (imagino, com a idade em torno dos 70 anos), fazendo um chiado com a boca, parecendo um disco de vinil estragado, e perguntou para o feirante: Você tem “brocas”? O feirante meio confuso, respondeu: não senhor! Procura lá com aquele senhor que conserta panelas, pode ser que ele tenha. Mais confuso ainda, o “chiador” lascou uma outra pergunta: O que tem a ver o consertador de panelas com as verduras? Aí danou tudo, ninguém entendeu mais nada. Então uma senhora que também fazia compras, perguntou para o “chiador”: Mas afinal, o que é mesmo que o senhor quer? Oras, aquela verdura que gente come! Aí a senhora perguntou de novo: Mas que jeito que é essa verdura? Não sei, a minha “mulé” que me pediu para comprá. A senhora disse: O senhor tem telefone na sua casa? Qual é o número para eu ligar para a sua esposa? Pelo celular (viva voz): Alô! É a dona Elisabel? (o nome é fictício para proteger a identidade dela). Í é, quem tá falano? Aí a senhora que estava tentando ajudar explicou para a esposa dele, e ela respondeu: Eu pidí pra ele comprá “bróquis”, etc., etc. que é uma verdurinha que parece uma cabecinha de “carapinha”. Pronto! Resolvido o enigma. O seu “chiado” finalmente pôde comprar “brócolis” que estava procurando.


E aí ainda tem gente defendendo a escrita e a pronúncia do português errado.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Poucos são os que sabem pensar – Ângela Maria La Sala Batà









Poucos são os que sabem pensar.


Tal declaração pode parecer demasiado pessimista, o que na realidade não é, pois o que nos impede o pensamento é a própria vida moderna, com sua atividade incessante, sua extroversão excessiva e seu ritmo agitado, passamos de um estado de extroversão e atividade, voltados para o mundo físico, a um estado de tranqüilidade semelhante a uma condição de sonho e ausência de pensamento durante o qual, com o pretexto de que estamos cansados e temos necessidade repouso, procuramos nos distrair com divertimentos ou leituras superficiais.

Muito poucos são os que amam o pensamento, a leitura, o estudo, a reflexão e que usam sua mente e utilizam suas faculdades mentais.

Voltando, portanto, ao argumento, as maiores impurezas mentais são devidas às influências emotivas instintivas, pois não sabemos desenredar a mente daquilo que a entrava, para torná-la dinâmica, viva e eficiente.

Se reconhecermos sinceramente, com uma auto-análise, que temos uma mente ainda kama-manásica[1], e se só conseguirmos pensar com esforço e fadiga, devemos tentar desenvolver aos poucos o aparelhamento mental, ou melhor, utiliza-lo mais, pois a mente se desenvolve com o uso; è preciso tratar de ler, de estudar, pelo menos uma hra por dia, um livro que estimule nosso mecanismo de pensar e que nos faça refletir. É preciso cultivar o recolhimento, a solidão, pelo menos durante um certo espaço de tempo, todos os dias.

Só na solidão aprende-se a pensar.

Na realidade, nesta fase kama-manásica, trata-se de fortalecer e ativas a mente, ainda mais do que purifica-la, visto que, ao tornar-se mais positiva e eficiente, ela saberá libertar-se das névoas da emoção e dos vínculos do instinto.






[1] Kama-manásica: (“mente do desejo”, em sânscrito) desejo mesclado com a mente, na maioria dos casos o desejo dominando a mente.



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

...os militares que garantiram a paz e a liberdade em diferentes períodos da história...- Por Jamil Salloum Jr.








Cansei de ver aqui face – principalmente durante as grandes manifestações populares - opiniões completamente injustificadas, extremas e fanáticas, quando não ridículas, a respeito das Forças Armadas brasileiras, reduzindo todas as três Armas a meros aglomerados de “milicos golpistas” (termo tristemente usado por um amigo do face...). A sombra de uma farda é o suficiente para fazer alguns vociferarem violentamente contra os “promotores da ditadura, da tortura, da crueldade e da decadência”. A falta do equilíbrio, do olhar moderado e não dogmático é uma calamidade; “jogar a criança junto com a água suja” é uma falha de raciocínio mais comum do que se imagina.


Talvez o que escreva não interesse a ninguém, mas senti-me no dever, já que o face tem o seu alcance. Se tiver paciência e alguns minutos, caro amigo, acompanhe-me. Depois sinta-se livre para refutar, caso deseje.


Imagine-se tranquilo em sua casa, com sua família, curtindo uma vida feliz e pacífica. Subitamente toma conhecimento de que uma força estranha se aproxima para destruir selvagemente e sem piedade tudo o que você conhece e ama. Você e seu(s) filho(s) serão mortos, não antes de serem cruelmente torturados; sua esposa e filha(s) violentadas, e depois mortas. Sua casa destruída. As opções de fuga são nulas, pois o ataque é iminente. 


Suas opções:

a) Esperar para morrer.


b) Mandar uma mensagem amável à horda agressora, lembrando-lhe das virtudes da paz, da tolerância e da concórdia. Afinal, você é um pacifista e crê no melhor do ser humano.


c) Tentar um diálogo político, entabulando negociações extensas e complexas com a força destruidora, tentando dissuadi-la, mas você não é político. Além do mais, o ataque é súbito, injustificado e já começou. Sem negociação.


d) Defender-se sozinho. Contudo, você é um cidadão “comum”, sem nunca antes ter agredido ou sido agredido. A horda invasora conta-se aos milhares e dispõe de armas pesadas. Você de garfos, facas, colheres de pau, e talvez, uma única arma, que nunca usou, apenas exibiu para os amigos.


e) Apelar para aqueles homens e mulheres que dedicam a vida a se preparar profissionalmente para uma situação como esta (mesmo que ela nunca ocorra), e que dispõem do treinamento e dos meios necessários para dissuadir, quando não neutralizar, um ataque como este, salvando você, sua família e seus bens. Homens e mulheres que dedicam a vida à proteção do outro, mesmo que não reconhecidos e mesmo aviltados (como ocorreu em muitos governos brasileiros).


Creio que todos apelaríamos sem vacilar para a última opção, entregando nossas vidas e dos nossos entes queridos nas mãos de nossa Força defensiva.


Você tem portas, cadeados e grades para proteger a sua casa, mas não podemos gradear, cercar e chavear um país inteiro. Nesse caso, nossas portas, chaves e cadeados são justamente as Forças Armadas, como força dissuasiva.


Seu direito soberano de ir e vir em seu país é garantido, em última análise, não pelas leis que te asseguram isso, mas pelas Forças Armadas, constantemente em alerta para defender o seu direito de levar a vida como bem entende, protegendo e dissuadindo qualquer invasão destrutiva em grande escala por parte de outro país.


À noite você dorme tranquilo porque, muitas vezes também de noite, homens e mulheres estão treinando no mato, no pântano e na floresta, para garantir o seu sono.


Por certo que a sociedade dos militares tem, como uma sociedade reduzida, os defeitos comuns aos seres humanos – encontraremos uma parcela de abuso e talvez até de corrupção, e sabemos que todas as ditaduras, de direita, de esquerda, teocráticas etc. só se afirmaram porque tiveram os militares a seu lado. Isso é o suficiente para demonizar as Forças Armadas como instituição, principalmente se lembrarmos que foram igualmente os militares que garantiram a paz e a liberdade em diferentes períodos da história?


Tenho amigos nas Forças Armadas brasileiras e estão entre as pessoas mais honestas, patriotas e dedicadas que conheço. Amam o país (talvez mais do que a maioria de nós...) e apesar de treinarem dia e noite para nos proteger, não gozam de um salário decente e, infelizmente, do respeito que merecem. Além disso, são obrigados a encarar o sucateamento progressivo das três Armas.


Enquanto não atingirmos planetariamente um estado de paz irreversível, as Forças Armadas serão necessárias. Pensar o contrário é iludir-se.

A guerra é triste e engendra abusos cruéis de todos os lados, mas nem quero pensar no que teria sido do mundo se os Aliados não tivessem conseguido parar Hitler e o Eixo, conquanto não concorde com a solução nuclear em cima do Japão.



Nota final: fico feliz de ver o efetivo feminino aumentando nas três Forças brasileiras. Nossas mulheres guerreiras já demonstraram que nada devem aos seus colegas masculinos em bravura e competência. E, cá entre nós, deixaram as Forças Armadas bem mais bonitas...





*Artigo extraído da página do Facebook do autor

https://www.facebook.com/jamilsa.junior?fref=ts


domingo, 13 de outubro de 2013

A vontade e o medo - Por João Bosco Leal

de:
 Joao Bosco leal por  cli12668.p03me.com 
responder a:
 artigos@joaoboscoleal.com.br
para:
 nogueirablog@gmail.com
data:
 11 de outubro de 2013 01:13
assunto:
 A vontade e o medo
enviado por:
 cli12668.p03me.com
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Senhor Editor,

eis um novo texto, A vontade e o medo, para sua publicação.

Obrigado

Joao Bosco Leal


A vontade e o medo


Quando somos crianças e estamos aprendendo a andar, os medos são menores, praticamente inexistentes, por não conhecermos a dor, mas à medida que vamos tomando conhecimento de suas possibilidades e intensidades, os medos começam a se acumular em nossas mentes.


Colocar o dedo em uma tomada pode provocar choque; em um ventilador em movimento, a quebra de um dedo; cair e bater com o rosto no chão pode causar um corte que necessite de pontos cirúrgicos ou até a quebra de um dente.


Todas essas situações provocam dor e ao mesmo tempo, por menores que sejam os ensinamentos delas retirados, nos deixarão mais atentos para o resto de nossas vidas. Porém, ao passar por essas experiências, algumas pessoas adquirem medo das possibilidades, o que poderá atrapalhar muitas atividades.


A maioria dos medos - apesar de para quem os possui serem incontroláveis -, foram adquiridos na infância, por pequenas experiências mal sucedidas, que causaram dor ou por histórias que lhes contaram com o exato propósito de assustá-las.


Outros são transtornos psicológicos - como a claustrofobia -, quando a pessoa não consegue permanecer em ambientes fechados com pouca circulação de ar, como nos elevadores, ônibus, metrôs e trens lotados ou salas fechadas, por exemplo.


Estatisticamente, os cinco meios de transporte mais seguros que existem, por ordem de segurança são: elevador, avião, metrô, helicóptero e navio. Atualmente, entretanto, o carro é eleito como o principal meio de transporte na grande maioria dos países, e entre as incontáveis pessoas que os utilizam, milhares - não só os claustrofóbicos -, têm medo de elevadores, o que - de acordo com os números -, não deveria ocorrer.


Independentemente do motivo, os diversos tipos de medos podem prejudicar, inibir ou até mesmo impedir muitas atividades - profissionais ou emocionais -, da vida de milhares de pessoas. Quantos, por medo de desafinar e serem motivos de risos, já deixaram de experimentar cantar e poderiam, com algum estudo e prática, terem se tornado excelentes cantores? Tocar algum instrumento musical deixou de ser sequer tentado por milhões de pessoas durante os séculos, simplesmente porque as próprias ficavam inibidas em testar suas aptidões.


Por insegurança, medo da recusa ou de se tornar motivo de chacota de quem delas soubesse, infinitas aproximações, abordagens e declarações de amor entre casais deixaram de ocorrer, pois são raros os que atingem maturidade suficiente para declarar seu amor publicamente, sem se importar com o que farão ou pensarão aqueles que, por serem emocionalmente fracassados, certamente deles procurarão rir.


A sociedade em que vivemos cobra demasiadamente - e desde a infância -, o sucesso em todas as áreas, motivo pelo qual durante a vida deixamos de fazer ou de tomar muitas atitudes, por medo de errar, pois somos criados de modo à sempre vencer, no judô, na natação, nas notas da escola, nos negócios, e assim temos dificuldades em aceitar tropeços e quedas, o que é um exagero.


Cair não significa permanecer no chão. Quem cai certamente se levantará e provavelmente terá menos chances futuras de tomar outro tombo. No aprendizado da vida, o que ainda não errou tem mais chances de errar que o que já aprendeu com aquele erro.


Acertar ou errar são consequências, mas nossos medos precisam ser substituídos por nossas vontades.


Joao Bosco Leal   www.joaoboscoleal.com.br


*Jornalista e empresário

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

COMO EU VOU MORRER. EH EH – Por Edson Paulucci







Eu vou morrer de velho.
Você de amor...ah ah 
Eu vou morrer devendo.
Você de penhor...ah ah
Eu vou morrer demais.
Você de menos...ah ah
Eu vou morrer sabendo.
Você querendo...ah ah
Eu vou morrer de verdade.
Você...você...de saudade.
ah ah ah

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Um antigo astro voltou a brilhar







Luiz Carlos Nogueira





No zimbório silente e enigmático, de uma noite escura,
de repente soaram acordes nobres de uma partitura,
anunciando que um antigo astro voltou a brilhar, naquela lonjura.
Pois, num átimo ausentou-se de lá, mas agora retorna e emoldura


Chamava-se Petrus, a pedra angular do edifício Nogueira Mendes.
De têmpera nobre, era a nota musical preferida da sua orquestra.
Era a própria batuta, sem que soubesse, que regia seus preferentes.
Agora, liberado da sua missão, recebe-o Deus com a Sua Destra.  




(*) Com carinho à família Nogueira Mendes, pela transição do meu primo e amigo Pedro Mendes, no dia 06/10/2013, aos 86 anos de idade.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Duas estrelinhas que sumiram do céu.












Luiz Carlos Nogueira







Numa noite enluarada, estava eu a fitar o céu,
buscando localizar as estrelinhas que me encantavam;
quando dois clarões se fizeram, como enorme fogaréu
Fechei os olhos e mesmo assim me ofuscavam.


Era magia? Era encantamento? Que inexplicável sentimento?
Passado pouco tempo, abri os olhos e fitei o firmamento.
Impossível?! Duas estrelinhas que lá estavam sumiram?
Era milagre do bom Deus e dos anjos que para isso se uniram?


Descoladas do céu, as estrelinhas viajaram muito e aqui chegaram.
Uma azul e outra cor de rosa, unidas como almas gêmeas da eternidade.
Serenas, não obstante cansadas, do céu se despediram e não choraram.


Afinal, suas vindas para a Terra, foram pela missão que escolheram,
De trazerem consigo a paz, a alegria, realizando a esperança da maternidade.
À azul deu-se o nome Pedro, e à cor de rosa, Luisa. Entenderam?


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

AMIGOS PARA SEMPRE – DEDICADO A MINHA ESPOSA MARTA




CLIQUE NESTE LINK PARA OUVIR E VER O VÍDEO:



                                    Ainda sem Photoshop

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A simplicidade da educação - Por João Bosco Leal

de:
 João Bosco Leal  por  cli12668.p03me.com 
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 artigos@joaoboscoleal.com.br

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 nogueirablog@gmail.com

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 27 de setembro de 2013 01:11
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 A simplicidade da educação
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Sr. Editor,

envio um novo texto, A simplicidade da educação, para sua publicação.

Obrigado

João Bosco Leal


A simplicidade da educação

A letra da música "Irmãos da Lua", de Renato Teixeira, diz: "Somos todos irmãos da lua / Moramos na mesma rua / Bebemos no mesmo copo / A mesma bebida crua / O caminho já não é novo / Por ele é que passa o povo / Farinha do mesmo saco / Galinha do mesmo ovo /.../ E o simples resolve tudo / Mas tudo na vida às vezes / Consiste em não se ter nada".

É maravilhoso ver como um tema já debatido por séculos pode ser resumido pelo autor, de forma tão clara e objetiva. Quantas soluções simples poderiam ser tomadas, em nosso país e no mundo, que certamente minimizariam a miséria, a fome e todos os tipos de desigualdade entre as pessoas.

Desde a invenção da escrita, a partir de quando foi possível documentar a história da humanidade, não se conhece um só dia em que todos os que habitam nosso planeta estivessem em paz. As guerras tribais por caças, alimentos, domínio de territórios ou por recursos naturais ocorreram diariamente, durante todos os séculos, em algum município, estado, país ou continente e, em duas oportunidades, envolveram praticamente todos eles.

Atualmente, além desses motivos, as guerras ocorrem principalmente por interesses políticos e econômicos, como pelo domínio dos campos de petróleo e mais recentemente por bacias hídricas. O mesmo jogo de poder que busca o domínio de determinadas regiões, deixa de lado outras, sem riquezas naturais importantes, fazendo com que milhões de pessoas no mundo sofram com a falta de alimentos, atendimentos mínimos de saúde ou sem moradia.

São também privadas dos mais modernos meios de comunicação - não dirigidos por esses interesses -, livres como a internet e suas redes sociais, o que as fazem continuar naquela situação sem sequer saber o verdadeiro motivo, ou que existem outras possibilidades.

A região Nordeste do país é um exemplo típico de uma verdadeira guerra que se perpetua contra aquela população, impedindo tenha direito à saúde, moradia e educação. Não interessa aos políticos locais - praticamente todos de pouquíssimas famílias -, que ela tenha um mínimo de instrução, que já seria suficiente para entender que o estudo e a geração de um emprego são melhores e lhe garantem mais futuro que uma "bolsa" alguma coisa.

Que direito possuem os políticos que comandam essa região de, por interesses próprios, impedir que grande parte da região já não esteja irrigada com a água do mar dessalinizada, processo já utilizado em diversas partes do mundo e que pude ver pessoalmente em Cancun, onde até cerveja se fabrica com essa água.

Há décadas o governo federal envia para a região, sistematicamente, quantias incalculáveis de recursos, que só chegam até o palanque onde o político faz seu discurso pregando a solução dos problemas. A partir daí os recursos somem, mas a seca, a fome e o analfabetismo continuam.

Os exemplos ocorrem no mundo todo, onde um pequeno grupo de homens, todos muito arrogantes em virtude de seu poderio econômico e militar, julgam-se com poderes para determinar a vida ou a morte de pessoas, como as que ocorrem em grande parte dos países africanos onde, por falta de simples ações políticas, milhões morrem de fome, outros em disputas tribais e outros - por ignorância -, de doenças como a AIDS.

Em qualquer parte do mundo a educação, a cultura e a consequente qualificação profissional resolveria grande parte dos problemas citados, como ocorreu com a Coréia do Sul, que há menos de cinquenta anos resolveu investir maciçamente na educação de seu povo e atualmente possui um dos maiores parques industriais automobilísticos do mundo.

Mas como canta Renato Teixeira, "O simples resolve tudo, por isso, às vezes não se tem nada".

João Bosco Leal*     www.joaoboscoleal.com.br

*Jornalista e empresário